
Raised
On Rock CD
1: Raised
On Rock Are
You Sincere Find
Out What’s Happening I
Miss You Girl
Of Mine For
Ol’ Times Sake If
You Don’t Come Back Just
A Little Bit Sweet
Angeline Three
Corn Patches Session
Highlights I
Miss You (Take 10-11) Find
out What’s happening (Take 6) It’s
Different Now (Rehearsal, unedited) Three
Corn Patches (Take 1-2) If
You Don’t Come Back (Take 5) Girl
Of Mine (Take 9) I
Miss You (Take 5) Three
Corn Patches (Take 13-14) Are
You Sincere (Take 2) Find
Out What’s Happening (Take 8, 7) For
Ol’ Times Sake (Take 4) Instrumental
Tracks Color
My Rainbow Sweet
Angeline CD
2: Rough
Mixes For
Ol Times Sake If
You Don’t Come Back Find
Out What’s Happening Raised
On Rock Three
Corn Patches (Including FS) Session
Outtakes If
You Don’t Come Back (Take 1-3) I
Miss You (Take 1) Girl
Of Mine (Take 1) Find
Out What’s Happening (Takes 1,2,4,5) Three
Corn Patches (Take 4-6) For
Ol’ Times Sake (Take 5-7) I
Miss You (Take 10) If
You Don’t Come Back (Takes 8, 6) Find
Our What’s Happening (Takes 8, 7) Are
You Sincere (Take 1) Girl
Of Mine (Take 3-6) Three
Corn Patches (Take 9-10) I
Miss You (Take 12-15) Instrumental The
Wonders You Perform Good,
Bad But Beautiful
Mais
um petardo da FTD em forma de reedição da discografia clássica. Desta vez quem
ganha o tratamento de luxo é o álbum de 1973, Raised On
Rock. Reproduzindo
a arte original do bolachão, o digipack da FTD abriga dois CDs recheados de
material inédito, acompanhado de um livreto com fotos e memorabília do período.
Ao todo são 28 faixas e quase quarenta takes contendo quase que exclusivamente
material inédito das conturbadas sessões do Stax no meio do ano de 1973.
Infelizmente,
apesar da quantidade exuberante de material inédito apresentado nessa reedição,
as sessões para o álbum original figuram entre os trabalhos menores de Elvis. As
dezenas de takes presentes nos CDs mostram o evidente desinteresse de Presley
pela sessão, refletido na falta de foco e dedicação ao processo de criação
artística que se faz obrigatório no trabalho de estúdio. Os
responsáveis e envolvidos na carreira de Elvis, aparententemente também
demonstravam estar alheios à situação. Em um documento presente no livreto,
datado de 11 de Outubro de 1973 e relacionado à sessão de overdubb em Palm
Springs, O coronel comunica à Joan Deary que desconhece qualquer canção
entitulada Girl Of Mine, e ainda adiciona que nem Charlie Hodge nem Grelun
Landon, presentes nas sessões, sabiam algo sobre “uma canção chamada Girl Of
Mine.” Agravando
esse aspecto, a qualidade francamente inferior de parte do material certamente
influenciou o desempenho de Elvis e
possivelmente foi responsável pelo seu comportamento arredio durante as
sessões. É o caso, por exemplo, de Three Corn
Patches. Saída da pena da lendária dupla Leiber/Stoller, que aqui erra
imperdoavelmente, produzindo uma peça completamente descartável e sem sentido.
Há também o country insosso Girl Of Mine e o pop simpático, porém
descartável de Sweet Angeline. Todas indignas da grandiosidade artística
de Elvis. Outras
canções mostram maior qualidade como a belíssima For Ol Time Sake´s . Com
cinco takes presentes, é possível acompanhar o desenvolvimento da canção. O take
4 ( já lançado anteriormente no CD Rhythm & Country)por exemplo,
é belíssimo e Elvis acerta em cheio. A bela versão
inspira até um comentário de Felton Jarvis ( presente no início do take 5)“
Você colocou um ótimo sentimento na canção, Elvis”. O take 5, é
incompleto à exemplo do sexto, onde Elvis é interrompido por Felton, incontente
com o fraseamento. Apesar da aparente má vontade em gravar, Elvis responde com
uma risada, mostrando humildade rara em artistas de seu porte, perante uma
interrupção como esta. Por fim, o
take de número 7 é um tanto irregular, com vocalizações aquém do esperado de
Presley. O take termina em nota positiva, quando Elvis erra a letra e
inevitavelmente cai no riso, assim como os músicos presentes.
Elvis
parece juntar maior interesse nas faixas mais “funks”, que marcam o tom desse
lançamento. É
o caso por exemplo, da excelente If You Dont Come Back e de Find Out
What Is Happening. A
primeira está representada por seis takes, dos quais quatro são inéditos. Mais
uma vez, pode-se acompanhar o processo de criação da faixa, com quase todos os
takes existentes presentes. Há pequenas, mas interessantes variações nos solos
de guitarra e na bateria aqui e acolá. Já a
segunda apresenta um desafio para Elvis, que encontra dificuldades na letra. São
necessárias quatro tentativas para que a canção seja cantada do começo ao fim.
Elvis demonstra bom humor com os erros, rindo e ameaçando humorosamente em
quebrar os dedos do compositor. Mesmo com momentos de bom humor como este, é evidente que o cantor estava
pouco inspirado e disposto a gravar. Isso se torna ainda mais claro quando a
sessão é interrompida após apenas quatro dias de trabalhos. Elvis simplesmente
desaparece e não cumpre a agenda de gravação. Para tapar o buraco, Felton
Jarvis, seu produtor, usa o tempo pago pelo estúdio para gravar faixas
instrumentais, na esperança que Elvis apareça para colocar sua voz nelas. Elvis
não mais retorna, voando para Los Angeles no dia 29, para ensaiar a nova
temporada em Vegas. Essas faixas instrumentais tornaram-se “lendas urbanas” durante
décadas, com rumores dando conta destas serem músicas inéditas de Elvis.
Infelizmente Elvis nunca colocou sua voz nelas, e Ernst põe um ponto final no
mito ao adicionar as faixas instrumentais nos discos. A inclusão dessas faixas é
muito propícia e interessante. Particularmente interessantes as melodias de
Color My Rainbow e The Wonders You Perform. The
Wonders You Perform – Tammy
Whynette.
God, Bad, But Beautiful – Shirley
Bassey Para
compensar o encerramento abrupto das sessões, Jarvis consegiu fazer com que
Elvis adicionassse sua voz à três faixas instrumentais: Sweet Angeline,
I Miss You e Are You Sincere. As faixas foram gravadas dois meses
depois, na mansão de Elvis em Palm Springs. Nelas temos um Elvis em muito melhor
forma vocal, resultando em performances de maior calibre. I Miss You e
Are You Sincere são também composições de maior qualidade e os takes
alternativos são excelentes e muito sinceros. Além
dos takes alternativos e as faixas originais, o album duplo apresenta também as
mixagens cruas dos masters. Essas mixagens são em sua grande maioria muito bem
vindas, já que apresentam os masters da maneira que foram gravados
originalmente, sem a adição de outros instrumentos. A
canção mais interessante nesse aspecto é a canção título, Raised On Rock.
A versão crua é um pouco mais longa, beneficiando-se da empolgação de Elvis em
sua parte final. Entre
takes alternativos, mixagens cruas e o álbum original, a FTD criou uma subseção
no disco entitulada Sessions
Highlights. Nesse
ponto, a compilação de Ernst Jorgensen e Roger Semon, faz um bom trabalho em
extrair o melhor dessa sessão pouco inspirada, juntando no primeiro CD, uma
seleção dos melhores takes alternativos, que em algumas vezes superam os masters
escolhidos por Jarvis. Nessa subseção, o destaque é o take integral de Its The Different Now. Originalmente lançada na belíssima caixa Walk A Mile
In My Shoes – The Essential 70 Masters, a gravação informal foi editada pelos
produtores. Agora ela aparece completa, com um verso extra cantado de maneira
atravessada por Elvis, justificando seu corte quando de seu lançamento. São
poucas linhas mas extremamente interessante. Com
todo esse conteúdo inédito e com pedaços das conversas de estúdio incluídas,
somadas à documentos das sessões, a reedição de Raised On Rock pinta um panorâma
muito interessante e importantíssimo para a compreensão dos trabalhos de Elvis
em estúdio. Mesmo
com a qualidade irregular do material e das performances, esta re-edição de luxo
pela FTD proporciona uma viagem fantástica ao passado, levando o ouvinte dentro
da sessão de gravação e lhe proporcionando a rara oportunidade de presenciar o
processo criativo de estúdio. Apresentação: 4,5/5 Conteúdo: 4/5 ® 2008 Elvis Collectors
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Músicas:
Raised On Rock
- Por Sergio Luiz

